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Casa Familiar Rural de Conceição do Araguia



                        

Experiência: Casa Familiar Rural de Conceição do Araguia

Ano Publicação: 2000
Casa Familiar Rural de Conceição do Araguaia:

Conceição do Araguaia possui 34 assentamentos de reforma agrária e algumas outras áreas de colonização antiga. No entanto, os povos do campo ainda enfrentam diversos problemas para permanecer na terra. No geral os agricultores/as familiares têm sérias dificuldades de acesso aos serviços básicos como saúde, estradas, habitação, educação e etc. Além disso, eles/as têm também as limitações relacionadas à produção, entre outros, porque muitos deles foram assentados nas áreas já degradadas pelos antigos projetos agropecuários e madeireiros. Por isso, a monocultura do gado foi a alternativa mais adotada, causando a simplificação e, portanto, instabilidade do sistema de produção familiar.
O modelo de desenvolvimento imposto na região, não difere das diversas zonas rurais da Amazônia, a infra-estrutura construídas nas áreas de assentamento não atende as necessidades dos agricultores e suas famílias. E no que se refere a educação também não é diferente.
O processo organização e implementação de educação no campo de Conceição do Araguaia passaram por diversas modalidades

multi-sériado: educandos de séries diferenciadas estudando dentro de uma mesma sala, com um único professor.

Seriado: dividiram-se os educandos em salas por séries e com um professor especifico para trabalhar em cada turma.
Nestes dois modelos os espaços ocupados eram salas improvisadas, sem nenhuma infra-estrutura, muitas vezes o professor/professora era o mesmo/mesma que fazia o papel de diretor/diretora, secretário/secretária e merendeiro/merendeira da escola.

Centralização: construção de escolas pólos nos assentamentos, concentrando os educandos atendidos anteriormente pelas salas ou escolas das vilas ou comunidades. Estas escolas possuem uma infra-estrutura melhor, mais organizada do ponto de vista pedagógico. Porém a distancia entre a casa do educando e a escola ficou maior.
Em todas as tentativas de melhorar a chamada educação no campo modifica-se a estrutura das escolas e o processo organizativo. Porém, a educação ofertada continua sendo descontextualizada, fragmentada, é a mesma pedagogia desenvolvida nas escolas urbanas postas em pratica nas escolas do campo. Neste sentido a educação não prepara os jovens agricultores nem para a vida no campo, por que se dá totalmente desconectado de suas vivencias culturais, sociais, ambientais e de trabalho destes, nem para a vida na cidade. É uma educação sem perspectivas de futuro.

Diante da necessidade de se construir um projeto de educação para o meio rural que não fosse apenas uma agência de reprodução do modelo de vida urbano, mas que permitisse o resgate dos saberes rurais e da valorização da cultura camponesa. Além disso, que trabalhasse a valorização do conhecimento familiar, que permitisse uma troca de saberes entre a comunidade e que fosse uma alternativa frente ao modelo de educação implementado na zona rural do município de Conceição do Araguaia, os movimentos sociais do campo: Movimento de Mulheres Camponesas (M MC), Sindicato dos Trabalhadores Rurais (STR), junto com a assessoria da Comissão Pastoral da Terra (CPT), iniciaram um processo de discursão, procurando conhecer novas experiências educacionais que viessem ao encontro de suas necessidade. Neste processo de busca conheceram a proposta de educação das Casas Familiares Rurais e percebendo que a metodologia da pedagogia da alternância era a ideal para ajudar a resolver parte dos problemas da educação assim como uma possibilidade de construir um outro projeto de desenvolvimento para o campo do município.
Inicia-se em 1999 as primeiras discurssões, em 2000 cria-se uma comissão para dar continuidade ao trabalho de articulação e sensibilização das famílias dos agricultores para criação da CFR em Conceição do Araguaia, consolidando-se em 2002 com a criação da Associação das Famílias da Casa Familiar Rural de conceição do Araguaia.

Com a criação da associação inicia – se a busca pelo local de construção da CFR. Porém agora com o apoio dos agricultores, que reconhecendo a importância do projeto de educação da mesma, doaram para a Associação das Famílias da Casa Familiar Rural o lote 11 do PA Canarana, sendo construída a partir da colaboração dos pais e dos educandos. Uma estrutura simples de madeira, sendo inaugurada no dia 07 de Julho de 2004. .
No inicio de sua fundação a CFR atendeu apenas 25 educandos, filhos de agricultores com o ensino fundamental com noções de técnicas agropecuárias com ênfase em agroecologia, estes educandos estavam distribuídos nos PAs Canarana e Joncon. Hoje a CFR atende cerca de 63 educandos, sendo 18 do ensino fundamental e 55 do ensino médio técnico em agropecuária com ênfase em agroecologia, atingindo diretamente 50 famílias que estão localizadas nos PAs: Canarana, Pecosa, são Domingos,Padre Josimo Tavares, Nazaré, Curral de Pedra, atende ainda as região de Campos Altos, Santa Helena, Volta Nova Totalizando 03 comunidades e 06 Projetos de Assentamento.
A Casa Familiar Rural é um Centro de Formação fundamentado na pedagogia da alternância, com origem francesa adaptada a realidade brasileira. ela organizada e gerida pelos agricultores pais dos educandos que estudam na CFR, onde estes criam uma associação para administrar e coordenar o processo de formação dentro da CFR. È a associação junto com os educadores e educandos que definem juntos o projeto de formação educacional.
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O objetivo da aprendizagem engloba a formação integral do sujeito, ou seja, uma formação humana, social, cultural, política, econômica, de valores humanistas e emacipatórios. Valorizando a sua história de vida, o conhecimento familiar e resgatando com os educandos suas raízes históricas.
A metodologia adota as diretrizes operacionais da educação do campo que regulamentam a educação para o meio rural. Estruturados com base na metodologia da alternância, classificados por temas geradores, com dois eixos de ação tematizados que orientam de forma interdisciplinar as aulas:
1. Eixo de formação Comum;
2. Eixo socioprofissional.

A pedagogia da alternância possibilita ao jovem uma formação integral alternando entre a realidade do jovem, ou seja, o meio social onde ele vive (o campo) e o centro de formação. Neste sentido o jovem fica uma ou duas semanas no centro de formação e duas semanas com a família no meio sócio profissional (propriedade da família).
Dentro da pedagogia da alternância existem instrumentos pedagógicos que viabilizam o processo de formação. São eles:
? Plano de estudo, pesquisa e trabalho: os temas geradores são problemáticas, idéias, conceitos ou questões técnicas, sociais, culturais e históricas que emergem de um trabalho de equipe entre os monitores, famílias e jovens. A Casa Familiar Rural e a prática da Pedagogia da Alternância, ao desencadear um processo formativo a partir das investigações dos temas do plano de estudo, levam os educandos a investigarem suas próprias práticas e atuação em sua realidade social.
? Colocação em comum: o educando apresenta o que a família dele e ele próprio conhecem sobre o tema em estudo. Este é o debate sobre o tema na região, a colocação em comum é o elemento chave para por em prática a pedagogia da alternância.
? Caderno da Realidade: o educando registrará toda a sua realidade estudada a partir de todos os temas geradores.
? Ficha Didática: instrumento que articula e situa os saberes da vida e dos programas oficiais de ensino, dando-lhes continuidade, ativa a expressão da colocação em comum. Guia o trabalho.
? Ficha Pedagógica: são apostilas sobre os temas profissionalizantes. Este material didático deve ser construído ou adaptado a realidade pelos monitores, nela deve tem espaços para acrescentar a expressão do jovem.


? Estágio Supervisionado - É um dos recursos básicos que complementam a Pedagogia da Alternância. Ele deve articular o saber dos jovens e do meio familiar com novos saberes e outras atividades que podem vir a serem desenvolvidas pela família.
? Colaboração Externa – durante o período de formação de profissionais, técnicos e peritos externos à equipe de monitores, permite aos jovens discutir e partilhar as experiências e reflexões sobre os diversos aspectos desenvolvidos no plano de estudo com pessoas especializadas na matéria.
? Visita de Estudo -. Este elemento estimula a capacidade de observação baseada curiosidade do jovem em adquirir novos conhecimentos, permite ao jovem confrontar seus conhecimentos com outros conhecimentos provocando novos questionamentos e ampliar os horizontes de sua análise com novas reflexões e conclusões.
? Projeto Profissional de Vida - O projeto pessoal profissional de vida é um elemento pedagógico de formação da Casa Familiar Rural e da Pedagogia da Alternância, que funciona como culminância de toda a formação do jovem rural. Após ter estudado o Ensino Médio e Profissional na Casa Familiar Rural, ter recebido várias instruções e orientações que levaram a construção do seu saber, o projeto profissional se estabelece como um projeto de vida para o jovem formando.
? Caderno da Alternância – Como forma de acompanhar e documentar o tempo propriedade e as atividades desenvolvidas pelo jovem no seu meio familiar, cada um deverá possuir o Caderno de Alternância. Nesse documento ele relata os acontecimentos marcantes do tempo Casa Familiar Rural, para acompanhamento da família.
? Visitas as Famílias - A Casa Familiar Rural e a Pedagogia da Alternância requerem um elo afetivo forte entre jovem e o corpo docente da Casa Familiar Rural, para que o processo de ensino se dê realmente em um contexto familiar. Para isso, torna-se necessário que a Casa Familiar Rural e a família tenham um relacionamento próximo.
? Tutoria: Tem como objetivo guiar o jovem nos seus estudos e no uso das técnicas e dos meios de aprendizagem mais adequados às suas possibilidades e aspirações.
? Avaliação Geral E Participativa de todo O Processo Formativo- As atividades avaliativas dos monitores em suas respectivas disciplinas terão caráter quantitativo e qualitativo
? Pesquisa na discencia: Durante a formação do jovem, tanto no Ensino Fundamental, quanto no Ensino Médio a Casa Familiar Rural promove e orienta o jovem a vivenciar diferentes experiências nas mais diversas áreas profissionais presentes no meio rural ou adaptável a ele.
Atualmente a casa tem como parceria a EMATER, Secretaria de Agricultura do Estado, Prefeitura Municipal de Conceição do Araguaia, Secretaria do Estado de Educação SEBRAE, MMC, STR e CPT. E com intervenção nas diversas regiões onde mora educandos da CFR, com a organização de grupos de experimentos visando a diversificação da produção, onde os educandos são multiplicadores desenvolvendo experiências agroecológicas tais como: Apicultura, Meliponicultura, Suinocultura, Horticultura e Avicultura, com pretensões de implementar o SAFs (Sistema Agroflorestal) e a Piscicultura.
Autor(es):

CPT - Comissão Pastoral da Terra
EMATER - PARÁ
Casa Familiar Rural

Relator(es):

Casa Familiar Rural

Áreas Temáticas
 Sistemas Agroflorestais e Agroextrativismo
 Desenvolvimento Rural
 Sistemas de Produção Agrícola
 Construção do Conhecimento Agroecológico

Áreas Geográficas
 Cumaru do Norte
  Sistemas Agroflorestais e Agroextrativismo
  Desenvolvimento Rural
  Sistemas de Produção Agrícola
  Construção do Conhecimento Agroecológico

Comentários
Nome E-mail Comentário Data Inclusão
Cleomaria Cleomariaabreu@outlook.com Fiz parte da primeira turma da CFR, tenho muito orgulho de ter fazer parte da história da Casa Familiar Rural. Tenho muita saudade. Beijos a todos que fizeram e ainda fazem parte dela... 12/02/2014